Ser para Ter. Ter para Dar.

Criar é demorado. Educar é lento. Vincular é contínuo.

Nascer tem sido massivo. Viver tem sido corrido. Amadurecer tem sido esquecido.

E nós, mulheres, estamos no meio – tentando responder à lentidão da criação enquanto corremos para apanhar a oportunidade lá fora.

Amamos menos para consumir mais.
Vinculamos menos para mecanizar mais.
Somos menos para ter mais.
Mais ilusão. Mais perdição. Mais invenção. De onde surgem as ideias de que é para desapegar, desmamar, desacolher.

Se querem uma sociedade autónoma e desapegada, saibam que será mais fácil começar pela contenção e pelo apego. Saibam que só um estômago cheio, abre mão de comida. Só um coração irrigado, rega um corpo – autonomamente.

Então encham. Apertem. Apeguem-se.
Primeiro escolham o Amor demorado. Só assim nos energizamos para criar uma sociedade que sabe Ser e Ter.

Todos nascemos com a necessidade de sermos nós e o outro – em puro estado fusional. Não tenham medo de se ver espelhados no outro. Não desviem o olhar tão rapidamente.

É demorado. Lento e contínuo. Este Amor. Por vezes, insuportável, de tão extenso e profundo.
Mas amadurecer é isto – encher para abrir mão. Ser para ter. Ter para dar.

Um coração que nunca se enche, mendiga por qualquer migalha.
Assim estamos nós – quando suplicamos para que nos tapem os buracos da nossa carência.

Nunca satisfeitos, para sempre pedintes.
Num espaço em que já poderíamos dar, ainda implorarmos. Num tempo em que já seriamos adultos, ainda vivemos infantilizados, amputados, incapazes de Ser para Ter. Ter para dar.

Então encham. Apertem. E apeguem-se a quem pode, no futuro, romper o casulo e voar livremente. Porque quem nunca se sentiu contido, não sabe o poder de se expandir.

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