Temos Tanto de Todas em Cada Uma de Nós

Tenho tanto de mim, em todas.
Temos tanto de todas, em cada uma de nós – mulheres.

É tão poderoso: assemelharmos os caminhos, partilharmos a espécie, espelharmo-nos nos olhares.

Mas falta vermo-nos. Não sermos o único corpo que conhecemos. Não sabermos de nós só pela visão do homem.

Falta compararmo-nos. Entre nós. Corpos reais, em tempo real.

Falta parar de olhar para dentro. E olhar para fora. Para ver que estamos a perder as nossas reais referências.

Falta guiarmo-nos. Entre nós. Mulheres farejantes. Norteadoras. Visionárias.

Tenho tanto de mim, em todas.
Temos tanto de todas, em cada uma de nós.

E é tão forte: vermo-nos por fora para nos distinguirmos por dentro.

Não conheci a minha filha quando ela saiu de mim, conheci-a quando eu saí de nós e fui ver lá fora. Fui ver mais. Fui ver outros para saber distingui-la.

Não me conheci só quando parei e olhei para dentro. Mas também quando saí e me colhi noutras mulheres. Activamente. Desconfortavelmente. Abertamente.

Falta perder o medo de ver – a outra e a representação que ela faz de mim mesma.

Falta sentirmo-nos: fruto de umas e raiz de outras.
Falta ecossistema. Entre todas. Entre mãe natureza e filhas da terra.

Falta corpo, matéria, enraizamento.
Somos a ponte necessária, a passagem obrigatória, o terreno fértil. Somos as artistas da grande criação – com ou sem filhos.
Porque temos tanto de nós, em tantos outros.

E é tão bom assim: perder-me cá dentro e encontrar-me lá fora. Ser parte do todo e estar por toda a parte. Perdida. E reintegrada.
A cada vez que assemelhamos os caminhos, partilhamos a espécie e nos espelhamos nos olhares.

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